Quadrim
  Login or Register
::  Home  ::  Downloads  ::  Your Account  ::  Forums  ::
 Menu Principal
 Home
 Fanfictions
 Títulos
 Enciclopédia
 Contato
 Top 10
 Faça Parte
 Comunidade
 Infos
 Estatísticas
 Busca
 Account
 Enquetes
 
 Dr. Estranho 11 - A Terceira Queda: Ao Pó Voltarás!
Dr. Estranho

Algo está vindo e trazendo consigo o crepúsculo de tudo o que existe.

Antes, porém, é chegado o momento de sinais e prodígios terem lugar. Em tempos assim, o improvável e o impossível são apenas corriqueiros e até mesmo os sonhos podem desejar sonhar.




Capítulo XI
A TERCEIRA QUEDA

Parte I
AO PÓ VOLTARÁS!

Por Antonio "Armaged00m" Fernandes



        A ampla clarabóia oferecia uma vista privilegiada da grande metrópole. A vida fervilhava lá embaixo, nas ruas de Manhattan, a cidade insone. Contudo, não era lá que estava a atenção dele, mas nos céus de chumbo que a tudo cobriam.

        Pesados...

        Como a alma de Stephen Strange! Realmente desejava que se lhe afastassem aquele cálice amargo. Mas não havia um pai a quem rogar. Ninguém para vê-lo chorar lágrimas de sangue!

        No final das contas, só restaram as conseqüências das escolhas erradas que fez. Todo o resto fora convenientemente esquecido. O repúdio de muitos, nenhum sinal de merecida gratidão e dezenas de dedos acusadores apontados para ele.

        Afastou-se do mirante, à procura da única coisa que podia aliviar
        (um pouco que fosse)
        sua dor. Deu alguns passos e tropeçou em algo. O barulho de uma garrafa rolando fez com que sorrisse torto, sob o bigode:

        — Ah, então é aí que você está, não é, sua danadinha fujona?

        Agachou-se e alcançou a garrafa. Vodka. Um restinho apenas,
        (melhor que nada)
        de qualidade certamente duvidosa, tendo em vista os lugares que andava freqüentando ultimamente. Ficou com preguiça de procurar em copo, de modo que tomou no gargalo mesmo. E pensar que, há pouco mais de um ano, prometera-se distância do álcool! Era um vício dos diabos mesmo! Quando te agarrava, não soltava tão fácil. Não senhor. Não mesmo! Agarrado à garrafa, voltou ao mirante e notou, sem a menor surpresa, o vermelho vivo que vinha rapidamente lambendo o cinza-chumbo do céu nublado de ainda há pouco.

        Conhecia muito bem o significado daquilo!

        Havia outros que também sabiam, mas esqueceram. Fizeram-nos esquecer!

        Era um sinal. Um mau sinal...

        As coisas iam ficar feias, não ia demorar muito!

        Levantou a garrafa de vodka acima da cabeça, numa espécie de brinde desajeitado ao porvir.

        Pelo menos, a catástrofe não ia encontrá-lo de garganta seca...


        O pequeno Samuel corria alegre pelo quintal de sua casa, seguido por Catito. Quando o garoto finalmente parou, ofegante, foi inesperadamente derrubado por um torpedo peludo, que voou por entre suas pernas, desequilibrando-o. O menino viu-se alvo das lambidas do vira-latas que, eufórico, fazia “festa” ao dono estatelado na grama. Afastando o cachorro, Sam levantou-se, sacudindo terra e grama
        (até já via mamãe balançando a cabeça, contrariada, e olhando com aquela cara de zanga)
        de sua roupa. A roupinha de marinheiro, presente de Tia Gladys, por ocasião de seu sexto aniversário.

        Samuel Straub adorava morar naquela casa, que tinha um quintal enorme, onde podia passar o dia inteiro brincando! Adorava seu cachorro! Adorava uma infância que não tinha a menor pressa de deixar. Se pudesse, permaneceria um garoto para sempre, como o célebre personagem da novela de James Mattew Barrie.

        Tons alaranjados já tingiam o firmamento. Mal notara a tarde passar e já chegava o crepúsculo. Era sempre assim quando se divertia com Catito. Só percebeu o adiantado da hora quando mamãe apareceu à porta, chamando-o para a janta. Correu até a casa. O cachorro acompanhou-o. Mas só até tocar com a pata o primeiro degrau
        (dali não passou)
        da varanda. Começou a rosnar, mostrando os dentes, enquanto Samuel, alheio à aflição do animal, desaparecia no interior da casa.

        Assim como desapareceu Catito e seus latidos nervosos...

        O tapete verde do gramado...

        E até o poente encarnado, já parcialmente coberto por uma demão de negro, obra da noite que caía...

        Tudo lançado fora da vista
        (se não vejo, existe?)
        com um simples bater de porta.


        Todo o pavimento superior da casa era dividido por um longo corredor,
        (comprido demais da conta)
        cuja ponta Sam Straub não conseguia divisar muito bem. Já estava ficando escuro e não conseguia recordar-se de onde ficava o interruptor de luz. Qual a extensão daquela tripa
        (comprida demais da conta)
        e onde ia dar? O que parecia é que o corredor teimava em prolongar-se além dos limites da própria casa.

        Não sabia precisar ao certo, mas tinha alguma coisa
        (nadando na beirada de sua consciência)
        que o incomodava. Uma sensação indefinida...

        Só então notou o quanto era engraçado o papel de parede. Em lugar dos tradicionais padrões de flores ou animais, o que se via, de um lado e de outro do corredor, era uma decoração de gosto bastante curioso. Letras de todos os tamanhos chamavam a atenção para as propriedades curativas de uma pomada medicinal aqui, ou alardeavam as vantagens de abrir uma conta em determinado banco ali. Mais estranho ainda, era a presença de alguns avisos alertando que não era permitido fumar no local.

        Coçou a cabeça e deu de ombros, após o quê, decidiu procurar o próprio quarto, a fim de lavar as mãos para jantar. O caso é que existiam mais portas do que se lembrava. Resolveu experimentar algumas, porém não encontrou nada que se parecesse com uma maçaneta. Mesmo assim, apenas a sua aproximação, a primeira das portas que tentou abrir entrou, parede adentro, sibilando ar comprimido. O que viu, lá dentro,
        (ou seria fora?)
        fez com que, no mesmo instante, recuasse. Com o susto, caiu de bunda no chão frio do corredor. Frio porquê, percebia agora, era feito de chapas metálicas,
        (mas onde diabos foram parar os tacos?)
        como todo o resto. Isso, contudo, não importava agora. Não diante do que havia além da porta
        (a assoviante porta de correr)
        escancarada.

        Lá estava, no lugar do que deveria ser um dos quartos, uma ampla galeria, apinhada de pessoas, em pé ou sentadas em bancos de fibra de vidro, esperando...
        (esperando o corredor passar?)

        Samuel levantou-se esbaforido. Só queria sair dali. Mamãe! Onde estaria mamãe,
        (onde, oras? Preparando o jantar, garoto tonto!)
        que não estava ali para ver nada daquilo?

        Não havia o menor sinal da escada que levara Sam até ali. A mesma que subia e descia, dioturnamente, desde que aprendera a andar. Confuso e amedrontado, só encontrava portas diante de si. Muitas delas. Ocorreu-lhe que uma casa que comportasse tantos cômodos, quanto ali tinha de portas, deveria ser de tamanho colossal!

        Era o que podia ter atrás delas, entretanto, que o amedrontava por demais! A amostra que tivera há pouco desestimulava qualquer nova tentativa. Por outro lado, não tinha escolha, senão a de tentar de novo, já que estava prisioneiro da desconhecida própria casa!

        Com o coração aos pulos, perambulou por aquele estranho interlúdio arquitetônico e escolheu uma das portas
        (uma bem distante da que tentara primeiro, só por garantia)
        e deu um passo na direção dela. Sentiu uma gota de suor escorregando por sua testa. Novamente, a porta escorregou horizontalmente, engolida pela parede. Apesar de já esperar o assobio agudo, não deixou de estremecer quando o ouviu novamente. Desta vez, quase achou que tudo estava normal. Não era um lugar estranho, cheio de gente mais estranha ainda, que o aguardava do outro lado. Era só um quarto comum, como seria de se esperar. A não ser pelos ocupantes. Havia uma mulher e duas meninas lá dentro e
        (achava que)
        não conhecia nenhuma delas. Não pareciam notar a presença de Samuel, que ficou ali, parado, olhando sem saber o que fazer. A menina mais nova conversava com a mulher, sentadas na cama. A outra garota, já adolescente, acomodava-se à frente de uma televisão de aparência pouco familiar. A tela era completamente retangular, sem os cantos arredondados do aparelho que os Straub tinham na sala. Não via botões e, muito menos, o tambor do seletor de canais. Em contrapartida, era ligado a um tipo compacto de máquina de escrever. A imagem na tela parecia reagir às teclas que a moça pressionava, o que, sem dúvida, constituía um rematado absurdo.

        Afastou-se da porta, que se fechou em seguida, acompanhada do característico silvo. Sentia as pernas bambas e resolveu sentar. Quem sabe em um dos coloridos bancos de fibra
        (de onde vieram os benditos bancos?)
        dispostos entre as portas, ao longo de ambas as paredes. Sam esparramou-se num dos verdes
        (os laranjas eram reservados para os idosos, grávidas e deficientes físicos, dizia o papel de parede)
        e ficou olhando para os próprios pés, que balançava nervosamente. Só então, o garoto de seis anos notou, encafifado, as pernas grossas e peludas, saindo das calças curtas do próprio conjuntinho de marinheiro
        (presente de Tia Gladys, convém não esquecer).

        Foi quando sentiu uma mão sacudindo-o e, surpreso, deu de cara com um homem de uniforme e quepe que exigia:

        — Bilhete! O seu bilhete, por favor, senhor!

        Samuel Straub levantou de um salto, apenas para encontrar um funcionário do metrô, plantado diante dele, avisando:

        — Estação terminal, senhor... O desembarque é obrigatório aqui. Senhor... Está ouvindo?

        Sam esfregou os olhos, sentindo um gosto amargo na boca. Limpou, com as costas da mão, um fio de baba que dela escorria.

        “Que pesadelo mais filhadaputa!” — pensou.

        Levantou do banco
        (do verde, porque os laranjas eram reservados, já sabemos)
        sentindo as nádegas amassadas. Por quanto tempo dormiu? A maçada é que agora teria que voltar atrás várias estações. E metrô, a esta hora, demorava mais que visita de cunhado!

        “Droga! Mais essa...” — lembrou que esquecera de pagar a prestação
        (até já via a ex-esposa balançando a cabeça, contrariada, e olhando com aquela cara de zanga)
        do computador da filha mais velha. A financeira ia acabar tomando o aparelho de volta. Do alto de seus de trinta e oito anos, Samuel Straub, divorciado e pai de duas adolescentes, não conseguia deixar de dar razão da mãe de suas filhas, em todas as vezes em que ela acusara-o de não passar de um fracassado!

        “Não consegue fazer nada direito”, ela dizia sempre.

        Bem, pois então estava na hora de mostrar para a megera que ele era capaz, sim, de concluir com algo decentemente
        (correu para a beira da plataforma, assim que o trem saiu, saltando entre os trilhos...)
        ainda que esse “algo” fosse a própria vida
        (... mirando o dormente central, o que lhe traria a paz, na forma de milhares de misericordiosos volts)
        miserável!


        Os monitores mostravam, na forma de gráficos, que a vida ainda pulsava naquele corpo imóvel, alheio ao mundo que prosseguira sem ele. Jazia esquecido sobre uma cama de hospital, ainda respirando apenas por obra da medicina moderna. A mesma que tinha o poder de mantê-lo vivo, ainda que incapaz de resgatá-lo da condição de um pobre vegetal. O prontuário, afixado ao pé do catre, identificava como Samuel Straub. Único sobrevivente de um medonho acidente automobilístico, onde faleceram sua mulher e filhas. A casca vazia, que se tornara Straub, estava condenada àquela cama para o resto de seus dias. Ou até que se desligasse os aparelhos que o mantinham vivo.

        Grupos de ativistas mobilizavam-se, periodicamente, do lado de fora do hospital. Hora apelando que as autoridades, da área de saúde, continuassem sustentando a sobrevida de Samuel. Hora exigindo, às mesmas autoridades, a misericórdia da eutanásia. Às vezes, os dois grupos encontravam-se, e o conflito descia do terreno das idéias para uma verdadeira batalha campal. Daí, os mastros das faixas viravam porretes. E a dignidade da vida ou morte de Samuel Straub, rapidamente esquecida, passava a ser o que menos importava.

        Eram as únicas vezes em que a criatura abandonava a mente inerte de Straub, para deliciar-se com o triste espetáculo oferecido pela intolerância humana. Um pequeno intervalo, antes das refeições...

        Pesadello gostava de empoleirar-se à cabeceira da cama de seu mais recente hospedeiro. Dali farejava o ar, à procura de comida. Não era certamente o que faltava em um sanatório, repleto de pacientes mentalmente instáveis, apenas esperando que suas almas fossem degustadas pelo demônio onírico. Seu preferido, no entanto, continuava a ser Samuel. Fizera seu ninho no cérebro enfermo dele, desde que fora expulso do Sonhar.

        O ente demoníaco passava seus dias a martirizar o coitado, com sonhos dentro de sonhos, reconstruindo sua vida, só para enxertar um final mais desgraçado a cada vez. Samuel Straub há muito que fora privado de juízo próprio, mas ainda era capaz
        (sofria, o desgraçado, é preciso que se diga!)
        de sentir. Era o que realmente dava paladar ao banquete onírico! Pesadello teria um orgasmo, se fosse capaz disso, de tão embevecido que ficava, no desempenho de seu cruel ofício.

        Caso olhos humanos pudessem enxergá-lo, veriam uma macilenta cria dos infernos, de cuja calva, lisa como casca de ovo, surgiam tufos ralos de cabelo descolorido. Nu, da cintura para baixo, “vestia” apenas um gibão, confeccionado a partir da pele de escrotos humanos. Também exibia, em volta do pescoço encardido, um colar de onde pendiam os dedos amputados de homens santos que, inspirados por suas divindades, escreveram livros sagrados.

        Gostava de achar-se o Senhor dos Sonhos Maus... Dos pesadelos... Mas a verdade é que não passava de simples alcaide de uma província longínqua e obscura do verdadeiro Sonhar.

        Ainda assim, conseguira sagrar-se como um dos maiores adversários do Mago Supremo da Realidade da Terra. Dedicava boa parte da eternidade de que dispunha para atormentar Stephen Strange. Em várias oportunidades, valendo-se de traiçoeiros ardis, estivera a ponto de quebrar o espírito do feiticeiro e provocar sua queda. Se bem que, ultimamente, Estranho não vinha precisando de muita ajuda para chafurdar na lama. Pesadello, contudo, acreditava que não seria de todo mau dar uma mãozinha para que seu inimigo afundasse ainda mais rápido. Tinha que arrumar tempo para pensar em algo...

        Foi quando, sem esperar, viu-se arrancado da mente morta de Straub e materializado fora da carcaça inerte do infeliz catatônico, em pleno quarto, por um poder irresistível, muito superior ao seu...

        Ou a qualquer outro que já confrontara!

        — Chega disso, criança rebelde... — ouviu dizer uma voz grave e pausada. — Vim buscar algo de minha propriedade. Algo que você tem consigo...

        De pé, ao lado do catre de Samuel, estava um homem altivo, porém vergado pelo peso dos anos.

        — Um... Mortal?! — escarneceu Pesadello. — Como ousa... ?

        — Eu não ouso, filho... Apenas exerço uma prerrogativa. Só quero de você uma coisa que lhe dei, eu mesmo, há muito tempo.

        O demônio rosnava impotente. Não entendia nada do que o mortal dizia. Já o teria reduzido a carne morta...

        Se pudesse!

        Contudo, não havia nada que pudesse fazer. O Estranho tinha-o completamente em seu poder. Mas que poder era esse?! E quem vinha a ser o desgraçado?

        — O que quero... — continuou o homem — ... É a vida que soprei em suas narinas!

        Pesadello calou aparvalhado! Desistiu, porém, de protestar contra a insensatez que ouvia, quando sentiu que suas forças faltavam. Caiu de joelhos, diante do outro que, para sua surpresa, estendeu-lhe a mão.

        — Venha, meu filho. Não tema. Retorne ao seu criador!

        Mal ouviu essa última frase. Estendeu os braços, tentando inutilmente afastar aquele homem que tanto o afligia. Tudo que conseguiu foi descobrir que uma poeira fina desprendia-se dos mesmos braços com os quais pretendia defender-se. O mesmo, notou, ocorria em toda porção do próprio corpo que sua vista abarcava. Viu que mais e mais desse pó soltava-se dele. Em pouco tempo, já não era mais apenas poeira, progrediram para flocos ressecados, e daí para fragmentos maiores. Logo, nacos inteiros de tecido esturricado desfalcavam o corpo do outrora temível Pesadello...

        Estava realmente se desfazendo...

        Morrendo...

        O mais estranho é que não sofria. Ao contrário: pela primeira vez, em toda a sua existência, sentia-se
        (em paz)
        bem. Era como se estivesse voltando para casa. Imaginava que Samuel tivera igual sensação, em seu ilusório retorno ao lar materno, reencontrando o cão, velho companheiro dos dias alegres da infância. Pesadello nunca conheceu tais emoções. Vivera uma existência solitária, tendo, como companhia ocasional, as vítimas, cujo espírito torturava. Talvez, o único sentimento que conhecesse fosse o ódio intenso que nutria por Strange. Mas até isso desvanecia-se, junto com seu corpo.

        Nada mais restara de ambas as pernas, assim como de um dos braços. Do outro, ainda sobrava um toco, à altura do cotovelo. Forçou-se para encarar seu algoz, antes que nada mais restasse de si. Foi o suficiente para fazer ruir o pescoço, de sob sua cabeça.

        Achou que era o fim, mas ainda enxergava. A cabeça sobrevivera à queda, entretanto, viu que o resto do corpo não tivera a mesma sorte. A maior parte havia sido pulverizada, quando desmoronou. Quis gritar, mas não tinha com o quê. A cabeça não estava tão intacta quanto pensava. Toda a metade inferior não existia mais.

        Foi quando o desconhecido abaixou-se e pegou-o com cuidado. Pesadello
        (o pouco dele que ainda persistia inteiro)
        foi levantado à altura do rosto de quem o reduzira a pó. Literalmente! Viu os cabelos brancos, a face enrugada, os lábios murchos... Sobretudo, viu os olhos, cinzentos e profundos, que o fitavam com familiaridade. Só então, em seus derradeiros instantes de vida, reconheceu-o. Estava muito diferente, mas... Sim! Era ele mesmo! A constatação da identidade do seu assassino foi demais para o moribundo Pesadello. Aí, gritou. Um grito silencioso, que reverberou apenas dentro de sua própria mente.

        O estranho caminhou lentamente até a porta do quarto de Sam Straub. Parou, por um momento, olhando o pobre infeliz, largado sobre a cama. Meteu, em seguida, a mão na fechadura e abriu a porta. Antes de prosseguir, atirou displicentemente os restos da cabeça para dentro do quarto e saiu, batendo a porta. Carregava consigo o rosário de dedos.

        Durante todo o tempo que durou seu vôo,
        (não mais que uns poucos segundos)
        até espatifar-se contra o piso de sinteco, Pesadello gozou de um privilégio que jamais experimentara, em toda a sua longa e árida existência...

        Ele sonhou!

        Sonhou que corria descalço pela grama...

        Com o vento batendo no rosto imberbe...

        Catito, sempre por perto, pulava e rolava no capim fresco. Vez por outra, arremetia, em desabalada carreira, para alcançá-lo, latindo e balançando o rabo alegremente...

        Como era bom ser criança!

        Como era bom ser livre para fazer o que quisesse!

        E, acima de tudo, como era maravilhoso estar vivo!



        “A felicidade é o que concede, até ao mais fugaz dos instantes, o poder de durar para sempre...”

Paul Waring


        A seguir:

        A busca por redenção leva o Dr. Estranho a confrontar seres que estão muito além dos homens e até mesmo dos deuses...

        ... Apenas para descobrir que, por seus atos, terá que pagar um preço alto demais!


        Caro leitor, Não deixe de opinar sobre esta estória.

        Mande um email para: Antonio "Armaged00m" fazendo sugestões ou criticas... Até xingue (mas não muito). Afinal, este trabalho é totalmente voltado aos nossos leitores

        Leia também os outros títulos da Quadrim... Garanto que vai gostar!

        O autor.

Posted on Monday, June 15 @ 03:01:05 BRT by Antonio_Armaged00m
 
 Related Links
· More about Dr. Estranho
· News by Antonio_Armaged00m


Most read story about Dr. Estranho:
Dr. Estranho 05 - No Coração do Mal: Corpos Usados

 
 Article Rating
Average Score: 4.91
Votes: 48


Please take a second and vote for this article:

Excellent
Very Good
Good
Regular
Bad

 
 Options

 Printer Friendly Printer Friendly

 Send to a Friend Send to a Friend

 

Re: Dr. Estranho 11 - A Terceira Queda: Ao Pó Voltarás! (Score: 1)
by Henrique on Monday, June 15 @ 22:51:45 BRT
(User Info | Send a Message)
Parabéns pelo retorno, Armaged00m!! Seus textos são sempre uma novidade bem-vinda.



Re: Dr. Estranho 11 - A Terceira Queda: Ao Pó Voltarás! (Score: 1)
by Conan on Friday, June 19 @ 14:19:29 BRT
(User Info | Send a Message)
A Antônio é O cara.
sumido, mas não desaparecido, tem o dom de nos prender na história desde suas primeiras linhas.
Nessa nova Saga escrita por suas brilhantes mão, veremos Dr. Estranho na busca pela redenção...

Há um provérbio que não lembro o autor ne nacionalidade. onde diz que podemos cair 7 vezes, se nos levantarmos 8 vezes.....

Parabéns, Antônio, continue.. magistral.


PHP-Nuke Copyright © 2004 by Francisco Burzi. This is free software, and you may redistribute it under the GPL.
PHP-Nuke comes with absolutely no warranty, for details, see the license.
Powered by PHP-Nuke Platinum

Page Generation: 0.04 Seconds

:: phpib2 phpbb2 style by phpbb2.de :: PHP-Nuke theme by www.nukemods.com ::